
O Tour de France 2026 disputa-se entre 4 e 26 de julho, ao longo de 21 etapas, dois dias de descanso e um total de 3.333 quilómetros. A 113.ª edição da maior corrida de ciclismo do mundo contará com 184 corredores distribuídos por 23 equipas, enfrentando cerca de 54.450 metros de desnível acumulado antes da chegada aos Campos Elísios, em Paris.
A edição de 2026 ficará também na história por marcar apenas a terceira vez que a Volta a França começa em Espanha, depois de San Sebastián (1992) e Bilbau (2023). Barcelona acolherá o Grand Départ e um contrarrelógio coletivo que poderá começar desde logo a desenhar diferenças entre os candidatos à camisola amarela.
Entre esses candidatos, há um nome que se destaca acima de todos: Tadej Pogačar. O esloveno parte como campeão em título e procura a quinta vitória na prova, um feito que lhe permitiria igualar o recorde histórico partilhado por Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain, os únicos ciclistas com cinco triunfos na classificação geral do Tour - e alguns dos melhores de sempre do desporto.
Mas o líder da UAE Team Emirates-XRG não corre sozinho. O seu grande rival, Jonas Vingegaard, chega moralizado depois de conquistar o Giro d'Italia 2026 e completar a coleção das três Grandes Voltas. A Red Bull-Bora-Hansgrohe apresenta um bloco fortíssimo liderado por Remco Evenepoel, enquanto Juan Ayuso, agora na Lidl-Trek, e a nova coqueluche francesa Paul Seixas (Decathlon), prometem animar a luta pelos lugares cimeiros.
Importa ressalvar que, à data da redação deste artigo, a startlist oficial ainda não está fechada, pelo que poderão existir alterações até ao início da prova.
A edição de 2026 contará com sete etapas planas, quatro etapas acidentadas, oito etapas de montanha, um contrarrelógio coletivo e um contrarrelógio individual.
O percurso foi claramente desenhado para criar espetáculo desde o primeiro dia: a corrida arranca com um contrarrelógio coletivo de 19,6 km em Barcelona, algo que não acontecia numa abertura do Tour desde 1971. Mais tarde, a etapa 16 oferece 26,1 km de contrarrelógio individual, terreno onde Remco Evenepoel procurará ganhar (ou recuperar) tempo aos principais rivais.
A alta montanha terá papel decisivo. O Col du Galibier, a 2.642 metros de altitude, será o ponto mais alto da corrida e um dos momentos mais aguardados da prova.
Já a última etapa voltará a seguir a fórmula introduzida em 2025, inspirada no percurso dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Isso significa que a chegada aos Campos Elísios poderá não terminar num sprint puro, abrindo espaço a ataques tardios e tornando o desfecho da corrida menos previsível. Foi precisamente nesse percurso que Wout van Aert se tornou o único ciclista a derrotar Pogačar no mano-a-mano numa etapa do Tour do ano passado.
Data | Etapa | Perfil | Distância |
4 julho | Barcelona – Barcelona | TTT | 19,6 km |
5 julho | Tarragona – Barcelona | Acidentada | 168,5 km |
6 julho | Granollers – Les Angles | Montanha | 195,9 km |
7 julho | Carcassonne – Foix | Acidentada | 181,9 km |
8 julho | Lannemezan – Pau | Plana | 158,3 km |
9 julho | Pau – Gavarnie-Gèdre | Montanha | 186,2 km |
10 julho | Hagetmau – Bordéus | Plana | 175,1 km |
11 julho | Périgueux – Bergerac | Plana | 180,4 km |
12 julho | Malemort – Ussel | Acidentada | 185,5 km |
14 julho | Aurillac – Le Lioran | Acidentada | 166,6 km |
15 julho | Vichy – Nevers | Plana | 161,3 km |
16 julho | Magny-Cours – Châlon-sur-Saône | Plana | 179,1 km |
17 julho | Dole – Belfort | Acidentada | 205,8 km |
18 julho | Mulhouse – Le Markstein | Montanha | 155,3 km |
19 julho | Champagnole – Plateau de Solaison | Montanha | 183,9 km |
21 julho | Évian-les-Bains – Thonon-les-Bains | ITT | 26,1 km |
22 julho | Chambéry – Voiron | Plana | 174,7 km |
23 julho | Voiron – Orcières-Merlette | Montanha | 185,2 km |
24 julho | Gap – Alpe d'Huez | Montanha | 127,9 km |
25 julho | Bourg d'Oisans – Alpe d'Huez | Montanha | 170,9 km |
26 julho | Thoiry – Paris | Plana | 133 km |
Tadej Pogačar chega ao Tour de France 2026 com quatro vitórias na prova (o mesmo registo de Chris Froome). Um novo triunfo colocá-lo-á no grupo mais exclusivo da história da modalidade: os ciclistas que venceram a Volta a França por cinco vezes.
Do outro lado estará Jonas Vingegaard, que procura a terceira camisola amarela da carreira. O dinamarquês chega galvanizado pela conquista do Giro d'Italia 2026, tornando-se apenas o oitavo corredor da história a vencer as três Grandes Voltas. Curiosamente, Pogačar ainda não faz parte desse grupo.
Outro dado relevante é a versatilidade do esloveno. Em 2020 venceu simultaneamente as classificações da juventude, montanha e geral. Em 2025 ficou muito perto de acrescentar também a camisola verde ao currículo, terminando apenas atrás de Jonathan Milan.
É o grande favorito. Venceu praticamente tudo o que correu em 2026, desde Strade Bianche e Liège-Bastogne-Liège até ao Tour de Suisse.
A UAE apresenta novamente um bloco impressionante, com destaque para Isaac Del Toro, provavelmente o melhor gregário de montanha do pelotão atual. O mexicano chega após vitórias no UAE Tour, Tirreno-Adriatico e Tour Auvergne-Rhône-Alpes (nova designação do Criterium du Dauphiné), reforçando ainda mais uma equipa já recheada de talento.
Se existe alguém capaz de desafiar Pogačar em três semanas, esse alguém é Jonas Vingegaard.
O líder da Visma conquistou a Vuelta 2025 e o Giro 2026, chegando ao Tour numa das melhores fases da carreira. Apesar da ausência de Wout van Aert (lesionado), a formação neerlandesa continua a apresentar um dos coletivos mais fortes do pelotão.
Pogačar é favorito segundo praticamente todos os indicadores. Todos, menos os de Michael Storer (Tudor). O australiano afirmou recentemente, após o Giro, que acredita que será Vingegaard a vestir a camisola amarela em Paris. E quando a opinião vem de um corredor que acabou de partilhar estrada com os melhores do mundo durante três semanas, merece atenção!
A mudança para a Red Bull-Bora-Hansgrohe teve um objetivo claro: aproximar Remco do nível competitivo de Pogačar e Vingegaard nas Grandes Voltas.
O belga continua a ser o melhor especialista do mundo em contrarrelógio e terá duas oportunidades importantes para ganhar tempo nesta edição. Além disso, contará com um coletivo fortíssimo, onde se destaca Florian Lipowitz, 3.º da geral no Tour de 2025.
Depois de anos na sombra de Pogačar, Juan Ayuso decidiu mudar de equipa e assumir finalmente o papel de líder no Tour.
A Lidl-Trek apostou forte no espanhol, que procura confirmar o enorme potencial demonstrado desde muito jovem. O terceiro lugar no Tour Auvergne-Rhône-Alpes deixou sinais positivos, embora o próprio tenha admitido alguns erros táticos, nomeadamente ataques demasiado prematuros em momentos decisivos.
Além disso, terá uma equipa sólida à sua volta. Mesmo que Mads Pedersen esteja focado nas etapas ao sprint, a sua experiência será um trunfo importante ao longo da corrida.
Nenhum corredor desperta tanta curiosidade quanto Paul Seixas. Aos 19 anos, a nova estrela francesa prepara-se para fazer a estreia na maior corrida do mundo. O talento é inegável, mas a queda e posterior abandono no Tour Auvergne-Rhône-Alpes deixaram algumas dúvidas sobre o seu estado físico.
Apesar disso, tudo indica que estará à partida em Barcelona. Resta saber em que condições chegará e qual será a profundidade da equipa que o acompanhará na montanha.
Com raízes portuguesas e cada vez mais seguidores em Portugal, Seixas será certamente um dos nomes mais acompanhados pelos fãs nacionais.
Embora a camisola amarela concentre a maioria das atenções, existem várias batalhas paralelas que prometem espetáculo neste Tour.
Depois de Pogačar ter estado muito perto de vencer simultaneamente a classificação geral, da montanha e por pontos em 2025, a organização decidiu agir.
As etapas ao sprint passarão a atribuir 70 pontos ao vencedor, em vez dos anteriores 50. Já as chegadas de montanha continuam a distribuir 30 pontos. A alteração favorece claramente os sprinters puros e promete tornar a luta pela camisola verde ainda mais interessante.
Entre os candidatos destacam-se Jasper Philipsen (Alpecin), Kaden Groves (Alpecin), Mads Pedersen (Lidl-Trek), Tim Merlier (Soudal-QuickStep) e Olav Kooij (Decathlon), caso as respetivas equipas confirmem as suas escolhas para a startlist final.
A classificação da juventude promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos.
Paul Seixas, Juan Ayuso, Isaac Del Toro e Florian Lipowitz surgem como os principais candidatos à camisola.
A classificação da montanha poderá voltar a cair nas mãos de um candidato à geral.
Tal como aconteceu recentemente, o percurso favorece corredores que lutam pela camisola amarela e acumulam pontos nas grandes chegadas em alto. Nesse cenário, Pogačar surge novamente como o principal favorito.
O mercado mais popular para quem acompanha a prova é o da classificação geral final, onde é possível apostar no vencedor da camisola amarela.
Trata-se de uma aposta de longo prazo (outright), ideal para quem pretende acompanhar toda a corrida e torcer pelo seu favorito ao longo das três semanas de competição.
À medida que o início da prova se aproxima, a bwin disponibilizará as odds dos principais candidatos, permitindo acompanhar a evolução das probabilidades antes e durante o Tour.
Todos os anos, centenas de milhões de espectadores acompanham o Tour de France em todo o mundo. Mais do que uma competição, trata-se de um fenómeno global que atravessa gerações, países e culturas.
A edição de 2026 reúne todos os ingredientes para ficar na memória: um percurso exigente, uma nova geração pronta para desafiar os campeões estabelecidos e a possibilidade de Pogačar alcançar um feito histórico.
E se há uma frase que resume a dimensão desta corrida, talvez seja a do antigo ciclista francês Thibaut Pinot:
"Only Le Tour will make you a rider that people won't forget."
(Somente o Tour poderá fazer de ti um ciclista de quem as pessoas não se esquecerão, numa tradução livre)
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