
O US Open é o último dos quatro torneios do Grand Slam disputados em cada temporada, que transforma Nova Iorque numa das capitais mundiais do ténis durante o final do verão.
Hoje, associamos imediatamente o US Open de ténis aos grandes estádios de Flushing Meadows e ao piso duro, mas nem sempre foi assim! Ao longo de mais de um século, o torneio mudou de nome, local e até de superfície, passando pela relva e pela terra batida antes de chegar ao formato atual.
Neste guia, percorremos a história do torneio, explicamos as principais regras e particularidades e mostramos o que deves analisar antes de apostar em ténis.
O US Open é um dos quatro torneios do Grand Slam, juntamente com o Australian Open, Roland Garros e Wimbledon. É também o último major do calendário, disputado anualmente nos Estados Unidos.
A competição inclui provas de singulares masculinos e femininos, pares e outras categorias. No entanto, são tradicionalmente os dois quadros principais de singulares que concentram grande parte das atenções.
O torneio é organizado pela United States Tennis Association (USTA) e tem raízes que remontam a 1881, muito antes do nascimento da própria Era Open.
A primeira edição da competição que viria a tornar-se o US Open realizou-se em 1881, no Newport Casino, em Rhode Island. Chamava-se então U.S. National Championships e o quadro original contava apenas com 26 homens, que competiam em relva.
O torneio passou posteriormente por diferentes locais, acabando por ficar durante décadas associado ao West Side Tennis Club, em Forest Hills, Nova Iorque.
A grande transformação chegou em 1968. Até então, os torneios do Grand Slam estavam reservados a jogadores amadores. Com o início da Era Open, profissionais e amadores passaram a poder competir nas mesmas provas e o U.S. National Championships tornou-se o US Open. Arthur Ashe venceu o primeiro título masculino desta nova era, enquanto Virginia Wade conquistou a prova feminina.
As mudanças não ficaram por aí. Em 1973, o US Open tornou-se o primeiro dos quatro Grand Slams a atribuir prémios monetários iguais aos campeões masculinos e femininos. Dois anos depois, introduziu os encontros noturnos, outra característica que acabaria por se tornar indissociável do torneio.
Em 1978, o US Open deixou Forest Hills e instalou-se em Flushing Meadows, onde permanece até hoje.
Uma das particularidades da história do US Open é ter sido disputado em três superfícies diferentes.
A relva foi utilizada desde a origem do torneio até 1974. Entre 1975 e 1977, Forest Hills recebeu uma superfície Har-Tru, conhecida como terra batida verde. Finalmente, com a mudança para Flushing Meadows em 1978, chegou o piso duro.
Jimmy Connors conseguiu adaptar-se a todas: venceu o US Open em relva em 1974, em terra batida em 1976 e em piso duro em 1978, tornando-se o único jogador a conquistar o torneio norte-americano nas três superfícies.
Atualmente, o US Open de ténis disputa-se no USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Flushing Meadows, no bairro de Queens, em Nova Iorque.
É neste complexo que se encontra o Arthur Ashe Stadium, palco dos principais encontros do torneio e de muitas das suas sessões noturnas.
O US Open chegou a Flushing Meadows em 1978, depois de o crescimento da competição ter tornado as instalações de Forest Hills insuficientes para receber o número cada vez maior de espectadores.
O US Open joga-se em piso duro, atualmente com uma superfície Laykold.
Ao contrário da terra batida ou da relva, o hard court tende a proporcionar um ressalto mais regular. Ainda assim, não devemos assumir que todos os torneios em piso duro oferecem exatamente as mesmas condições: a composição da superfície, temperatura, humidade e outras variáveis podem alterar a velocidade do jogo.
Para quem analisa um encontro, isto significa que o desempenho de um jogador em piso duro pode ser mais relevante do que os seus resultados globais. Um bom registo em terra batida, por exemplo, não garante o mesmo rendimento em Nova Iorque.
Também é útil observar os torneios em hard court disputados nas semanas anteriores, que podem oferecer uma amostra mais recente da adaptação de cada jogador à superfície.
O US Open utiliza um formato de eliminação direta: quem perde um encontro fica fora da corrida pelo título.
Nos singulares masculinos, os encontros são disputados à melhor de cinco sets, pelo que é necessário vencer três para seguir em frente. Nos singulares femininos, joga-se à melhor de três sets, sendo necessários dois para ganhar o encontro.
Esta diferença pode ser importante na análise dos jogos. Um encontro masculino pode prolongar-se por cinco sets, criando oportunidades de recuperação que não existem num formato à melhor de três e aumentando potencialmente o desgaste físico acumulado ao longo do torneio.
Quando um set chega aos 6-6, é necessário um tie-break para encontrar o vencedor.
Nos sets que não são decisivos, vence o tie-break o primeiro jogador a chegar aos sete pontos com uma vantagem mínima de dois.
No set decisivo, a regra é diferente. Desde 2022, os quatro Grand Slams utilizam o mesmo sistema: aos 6-6 joga-se um tie-break de 10 pontos, novamente com uma diferença mínima de dois.
O US Open tem, aliás, um papel histórico nesta regra. Foi o primeiro Grand Slam a utilizar um tie-break, em 1970. O modelo original era diferente do atual e, em 1976, o torneio adotou o desempate aos sete pontos com vantagem de dois.
Portugal ainda procura grandes feitos em singulares em Nova Iorque, mas já houve algumas participações marcantes.
Em 2018, João Sousa tornou-se o primeiro português a chegar aos oitavos de final de um Grand Slam, precisamente no US Open. Depois de eliminar Lucas Pouille na terceira ronda, foi travado por Novak Djokovic. Nuno Borges igualou a presença nos oitavos de final do US Open em 2024.
Mas algumas das histórias portuguesas mais curiosas do torneio aconteceram do outro lado da rede.
Nos quartos de final femininos de 2004, Serena Williams enfrentava Jennifer Capriati quando uma decisão da árbitra portuguesa Mariana Alves se tornou um dos episódios mais controversos daquela edição.
No início do terceiro set, uma bola de Serena foi dada como dentro pelo juiz de linha, mas Mariana Alves corrigiu a decisão e atribuiu o ponto a Capriati. As imagens televisivas mostraram que a bola tinha efetivamente entrado. Serena protestou, mas não havia então um sistema que lhe permitisse desafiar a decisão.
Capriati acabaria por vencer por 2-6, 6-4 e 6-4. Após o encontro, a organização reconheceu o erro e Mariana Alves foi afastada dos restantes jogos do torneio.
O episódio ficou também associado à discussão sobre a utilização de tecnologia na arbitragem do ténis, numa altura em que sistemas eletrónicos de revisão começavam a ganhar relevância.
Catorze anos depois, outro árbitro português voltou a protagonizar uma polémica com Serena Williams no US Open.
Na final de 2018, frente a Naomi Osaka, Carlos Ramos aplicou a Serena uma advertência por coaching, uma penalização de ponto por partir a raquete e, posteriormente, uma penalização de jogo após uma nova infração. As três penalizações aplicadas por Carlos Ramos a Serena Williams seguiram estritamente o código de conduta do torneio, mas geraram uma enorme tensão no estádio.
Osaka venceu por 6-2 e 6-4, conquistando o seu primeiro título do Grand Slam.
O historial de um jogador é um ponto de partida, mas não deve ser analisado isoladamente. Antes de apostar no US Open, vale a pena cruzar diferentes tipos de informação.
Fator | O que observar |
Piso | Resultados recentes em hard court |
Forma | Desempenho nos torneios anteriores ao US Open |
Serviço | Aces, duplas faltas e jogos de serviço ganhos |
Resposta | Capacidade para criar e converter oportunidades de break |
Formato | Melhor de cinco sets nos homens e de três nas mulheres |
Desgaste | Duração dos encontros e tempo passado em campo |
Confronto direto | Histórico entre os jogadores, especialmente em piso duro |
Condições | Horário, temperatura e condições específicas do encontro |
Um jogador pode, por exemplo, ter um excelente histórico no US Open, mas chegar a Nova Iorque depois de várias derrotas ou de encontros particularmente longos.
Também não basta olhar para o número de vitórias em piso duro. A qualidade dos adversários, a dimensão da amostra e a proximidade temporal dos resultados ajudam a dar contexto aos números.
Os mercados de apostas disponíveis podem variar de encontro para encontro e ao longo do torneio. Entre os tipos de apostas no US Open que podes encontrar estão:
Vencedor do encontro: escolhes qual dos jogadores vence a partida;
Vencedor do set: a previsão aplica-se apenas a um determinado set;
Handicap: é atribuída uma vantagem ou desvantagem em jogos ou sets;
Total de jogos: apostas se o encontro termina acima ou abaixo de uma determinada linha;
Resultado exato: tentas prever o número de sets com que termina a partida;
Tie-break: podem existir mercados relacionados com a ocorrência ou resultado de tie-breaks;
Vencedor do torneio: aposta outright em quem conquista o US Open.
A oferta concreta e as respetivas odds do US Open podem mudar, pelo que deves confirmar sempre os mercados disponíveis antes de fazer uma aposta.
Se ainda não estás familiarizado com conceitos como handicap, over/under ou apostas em sets, consulta o nosso guia sobre como apostar em ténis.
O US Open partilha com os restantes Grand Slams a dimensão e o prestígio, mas construiu uma identidade própria.
É o último major da temporada, joga-se em piso duro em Nova Iorque e tem uma longa tradição de inovação. Foi o primeiro Grand Slam a introduzir o tie-break, o primeiro a oferecer prémios monetários iguais a homens e mulheres e foi também pioneiro na realização de encontros noturnos.
A própria história da competição mostra essa capacidade de mudança: começou na relva de Newport, passou por Forest Hills, experimentou a terra batida e encontrou finalmente em Flushing Meadows a casa que ajudou a definir o US Open moderno.
Conhecer essa história e perceber as características atuais do torneio não permite prever quem vai ganhar o próximo encontro, mas ajuda a colocar em contexto os jogadores, os seus resultados e os mercados disponíveis.
+18. Sê responsável. Aposta com moderação.