Marrocos vs Senegal — A final mais controversa da história do Campeonato Africano das Nações (CAN)

O que precisas de saber sobre a final do CAN 2026:
A final disputou-se a 18 de janeiro de 2026 no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat
O Senegal venceu 1-0 em campo com golo de Pape Gueye no prolongamento
A 17 de março, o Comité de Recurso da CAF (Confederação Africana de Futebol) retirou o título ao Senegal e atribuiu-o a Marrocos por 3-0
A decisão baseou-se no artigo 84 do regulamento da CAF — abandono do relvado sem autorização do árbitro
O Senegal vai recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) em Lausanne
A final do CAN 2026 — Campeonato Africano das Nações — ficará para sempre marcada na história do futebol africano. Não pela qualidade do jogo, mas pelo caos que se instalou nos seus minutos finais e pelas consequências disciplinares que se prolongaram por dois meses após o apito final. O Senegal venceu em campo. Marrocos venceu na secretaria. E o processo ainda não terminou.
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A final de janeiro — O que aconteceu em Rabat
A final da 35.ª edição do Campeonato Africano das Nações disputou-se a 18 de janeiro de 2026 no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, Marrocos. O país anfitrião recebia o Senegal com a expetativa de conquistar um título histórico em casa — Marrocos não vencia o CAN desde 1976, há exatamente 50 anos.
O jogo foi equilibrado até aos últimos minutos do tempo regulamentar. Nos descontos do segundo tempo, com o marcador em 0-0, um golo do Senegal foi anulado por falta sobre Hakimi — o que gerou contestação imediata dos jogadores senegaleses. Pouco depois, o árbitro assinalou uma grande penalidade a favor de Marrocos após revisão do VAR por alegada falta sobre Brahim Díaz. A soma dos dois episódios foi demasiado — o selecionador Pape Thiaw instruiu os jogadores a abandonarem o relvado em sinal de protesto, e a partida ficou interrompida durante mais de dez minutos, com alguns elementos da equipa técnica senegalesa a dirigirem-se para os balneários.
Foi o capitão Sadio Mané quem assumiu a liderança no momento mais crítico. Com a sua experiência e a consciência do que poderia representar um abandono definitivo de uma final, Mané reuniu os colegas de equipa e conduziu o regresso ao relvado. O que se seguiu foi decisivo: Brahim Díaz tentou uma Panenka completamente desajustada, tornando a defesa fácil para o guarda-redes Edouard Mendy. O Senegal aproveitou a "oferta" de Marrocos — e aos quatro minutos do prolongamento, Pape Gueye decidiu a partida com um golo que parecia dar ao Senegal o segundo título da sua história.
As declarações de Infantino e a queixa de Marrocos
Ainda antes do final do mês de janeiro, o Presidente da FIFA, Gianni Infantino, condenou publicamente o comportamento dos jogadores e equipa técnica senegaleses, classificando as cenas como inaceitáveis e afirmando que abandonar o relvado não pode ser tolerado no futebol — referindo-se também ao comportamento de alguns adeptos nas bancadas.
Dois dias após a final, a Federação Real Marroquina de Futebol apresentou queixa formal junto da CAF contra a seleção senegalesa. Marrocos argumentou que o abandono do relvado teve um impacto direto e significativo no decorrer do jogo e na prestação dos jogadores. Numa primeira decisão, a CAF confirmou o Senegal como campeão. Marrocos apresentou recurso. E foi esse recurso que mudou tudo.
A Decisão da CAF — Marrocos campeão na secretaria
A 17 de março de 2026 — quase dois meses após a final — o Comité de Recurso da CAF proferiu uma decisão que apanhou o futebol mundial de surpresa. Com base no artigo 84 do regulamento do Campeonato Africano das Nações, o Comité declarou o Senegal perdedor por desistência — considerando que o abandono do relvado durante a final constitui uma infração disciplinar grave que implica derrota por walkover. O resultado oficial da final passou a 3-0 para Marrocos.
Na prática, a vitória conquistada em campo foi anulada. Marrocos torna-se campeão africano pela segunda vez na história — o primeiro título desde 1976 — e conquista-o em casa, em Rabat. Para o Senegal, o episódio representa a perda de um título que parecia já conquistado, restando apenas uma conquista continental, a de 2021.
As punições individuais foram também significativas. O selecionador senegalês Pape Thiaw foi suspenso por cinco jogos por ter instruído os jogadores a abandonarem o relvado. Do lado marroquino, Achraf Hakimi recebeu dois jogos de suspensão, Ismael Saibari foi suspenso por três partidas e multado. A federação marroquina foi igualmente sancionada em cerca de 315 mil dólares por conduta imprópria e por interferência na área do VAR — o que demonstra que o Comité de Recurso da CAF puniu comportamentos de ambas as equipas, mesmo que a decisão final seja favorável a Marrocos.
O que acontece a seguir — O recurso para o TAS
O processo está longe de encerrado. A Federação Senegalesa de Futebol anunciou que vai recorrer da decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto, conhecido pela sigla TAS, em Lausanne, Suíça — o órgão máximo de arbitragem desportiva internacional. Um processo no TAS demora tipicamente cerca de um ano a produzir decisão final, o que significa que o título do CAN 2026 pode continuar em disputa enquanto ambas as seleções participam no Mundial 2026, co-organizado pelos Estados Unidos, Canadá e México.
Marrocos e Senegal voltam a cruzar-se nas fases de grupo do Mundial 2026 — Marrocos no grupo com o Brasil e Senegal no grupo com a França e a Noruega. A sombra desta decisão vai acompanhar as duas seleções até ao apito inicial do seu primeiro jogo em junho.
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