
Acabaram 39 dias de futebol. O Mundial de Futebol de 2026, o primeiro com 48 seleções e o primeiro organizado por três países — Estados Unidos, Canadá e México —, terminou a 19 de julho no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. La Roja conquistou a segunda estrela da sua história com um golo de Ferran Torres aos 106 minutos.
Foi um torneio de recordes: o maior de sempre em número de seleções, o mais longo, e aquele que colocou Kylian Mbappé no topo da lista dos melhores marcadores de todos os tempos em fases finais. Se acompanhaste a competição connosco desde o sorteio, aqui tens o rescaldo completo.
A final foi o espelho fiel do que a Espanha fez durante todo o torneio. La Roja assumiu o protagonismo desde o apito inicial, com um jogo assente na posse e na circulação rápida de bola, e somou ocasião atrás de ocasião. O problema chamava-se Emiliano Martínez. O guarda-redes argentino, herói dos penáltis em 2022, voltou a ser o homem que segurou a Argentina viva, evitando que o marcador se abrisse durante os 90 minutos regulamentares.
O desbloqueio só chegou aos 106 minutos, já na segunda parte do prolongamento, pelo pé de Ferran Torres. Um golo que valeu um título mundial e que fechou, ao mesmo tempo, um dos maiores capítulos da história do futebol: a era Messi ao serviço da seleção argentina em Mundiais.
Quatro anos depois de erguer a taça no Qatar, Messi saiu de campo derrotado numa final. Terminou com a Bola de Prata, o prémio de segundo melhor jogador do torneio — reconhecimento de um percurso individual notável que não bastou para o desfecho que a Argentina procurava.
Controlo do jogo sob pressão. Mesmo nos momentos de maior pressão argentina, a Espanha manteve a posse sem perdas perigosas, gerindo o ritmo do encontro.
Profundidade pelas alas. A largura foi uma arma constante, sobretudo quando a Argentina adiantou linhas na procura do golo.
Condição física. A Espanha terminou o prolongamento a manter intensidade alta — determinante num jogo que se decidiu aos 106 minutos.
Gestão emocional. A equipa competiu com serenidade numa final de enorme exigência, sem se desequilibrar perante a insistência do adversário.
A Espanha chegou ao jogo decisivo depois de bater a França por 2-0 em Dallas, a 14 de julho. Mikel Oyarzabal abriu o marcador de penálti aos 22 minutos e Pedro Porro confirmou a qualificação na segunda parte.
No dia seguinte, em Atlanta, a Argentina recuperou de uma desvantagem para eliminar a Inglaterra por 2-1. Anthony Gordon marcou primeiro, Enzo Fernández empatou aos 85 minutos e Lautaro Martínez completou a reviravolta aos 90+2.
Se a final foi um exercício de controlo, o jogo do terceiro lugar foi o oposto. A 18 de julho, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, a Inglaterra bateu a França por 6-4 no encontro mais aberto de todo o Mundial.
O jogo entre os dois derrotados das meias-finais começou desequilibrado. A Inglaterra — com Harry Kane e Jude Bellingham a começarem no banco — precisou de menos de três minutos para marcar, com Declan Rice a finalizar colocado. Aos 18 minutos, Rice cobrou um canto pela esquerda e Ezri Konsa desviou de cabeça para o 2-0. Aos 37, Rashford carregou pela esquerda, rematou para defesa de Maignan e Saka aproveitou a recarga. Nos descontos da primeira parte, Eze isolou Saka, que fez o 4-0 ao intervalo.
Deschamps respondeu com quatro substituições ao intervalo e a França reagiu de imediato. Mbappé reduziu aos 48, servido por Olise. Barcola fez o 4-2 aos 54 e Mbappé bisou aos 66, colocando a França a 4-3. Saka completou o hat-trick de penálti aos 87, Dembélé voltou a reduzir aos 90+6, e Bellingham fixou o 6-4 aos 90+8.
Foi a primeira medalha de bronze de sempre da Inglaterra em Mundiais, depois das derrotas na disputa do terceiro lugar em 1990, frente à Itália, e em 2018, frente à Bélgica. É a segunda melhor classificação inglesa de sempre, só superada pelo título de 1966.
Do lado francês, o quarto lugar fecha uma participação que prometia mais e marca o fim do ciclo de Didier Deschamps, que deixa o comando dos Bleus após 14 anos.
A gala de prémios confirmou o domínio espanhol. Messi surgia entre os principais candidatos ao prémio, mas a distinção foi atribuído a Rodri, capitão espanhol e jogador do Manchester City, que já tinha sido eleito melhor jogador do Euro 2024 — também vencido pela Espanha.
Prémio | Vencedor | Seleção |
Bola de Ouro (melhor jogador) | Rodri | Espanha |
Bola de Prata | Lionel Messi | Argentina |
Bola de Bronze | Kylian Mbappé | França |
Chuteira de Ouro (melhor marcador) | Kylian Mbappé | França |
Luva de Ouro (melhor guarda-redes) | Unai Simón | Espanha |
Melhor jogador jovem | Pau Cubarsí | Espanha |
Troféu Fair Play | — | Países Baixos |
Unai Simón conquistou a Luva de Ouro depois de terminar o torneio com apenas um golo sofrido — um prémio conquistado mais pela solidez coletiva do que por defesas espetaculares. Aos 29 anos, tornou-se o segundo espanhol a receber a distinção, repetindo o feito de Iker Casillas em 2010.
Pau Cubarsí foi eleito melhor jogador jovem. O central do Barcelona começou o Mundial no banco de suplentes e acabou por conquistar a titularidade na equipa de Luis de la Fuente — um dos percursos individuais mais marcantes do torneio.
Os dois golos frente à Inglaterra em Miami valeram muito mais do que o consolo de uma reação. Com eles, Mbappé chegou aos 22 golos em fases finais de Campeonatos do Mundo e tornou-se o melhor marcador de sempre da competição.
No Mundial de Futebol de 2026, o avançado francês terminou isolado na liderança com 10 golos, o que lhe valeu a segunda Chuteira de Ouro consecutiva, depois de 2022. É o primeiro jogador da história a ser artilheiro isolado em duas edições distintas do Mundial.
Portugal terminou o Grupo K em 2.º lugar, com 5 pontos, garantindo o apuramento ainda antes de defrontar a Colômbia, graças a uma conjugação de resultados favorável. O grupo fechou com um empate 0-0 frente aos colombianos.
Nos 16 avos de final, a Seleção Nacional afastou a Croácia por 2-1. Nos oitavos, o adversário foi a Espanha — e a viagem terminou aí, com uma derrota por 1-0 frente à futura campeã do mundo.
O 2.º lugar do grupo foi determinante: colocou Portugal no lado do quadro da Espanha logo nos oitavos, um cruzamento que teria sido evitado com o primeiro lugar. Ainda assim, a Seleção Nacional caiu apenas frente à equipa que acabaria por levantar a taça, e por uma diferença mínima.
O novo formato funcionou. As 48 seleções distribuíram-se por 12 grupos de quatro, com apuramento dos dois primeiros de cada grupo mais os oito melhores terceiros classificados — 32 equipas na fase a eliminar, numa ronda de 16 avos de final inédita. O resultado foi mais jogos decisivos e uma terceira jornada de grupos com dramatismo acrescido.
Os melhores terceiros pesaram. Bósnia-Herzegovina, Paraguai, Equador, Suécia, Senegal, Argélia, RD Congo e Gana avançaram por essa via, provando que o formato dá segundas oportunidades a quem tropeça no arranque.
Cabo Verde escreveu história. Na estreia absoluta em Mundiais, os Tubarões Azuis fecharam a fase de grupos invictos e no 2.º lugar do Grupo H, com três empates — frente à Espanha, ao Uruguai e à Arábia Saudita. É a primeira vez desde 2010 que uma seleção estreante ultrapassa a fase de grupos. Nos 16 avos, o adversário foi a Argentina.
Outras surpresas. A Costa do Marfim alcançou a primeira qualificação de sempre para a fase a eliminar. A África do Sul recuperou de um início desastroso para assegurar um apuramento histórico. O Equador surpreendeu ao bater a Alemanha na fase de grupos.
O México protagonizou uma campanha muito positiva perante os seus adeptos. Foi a primeira seleção apurada e a única a terminar a fase de grupos com três vitórias, forte defensivamente e impulsionada pelo apoio das bancadas.
Fins de ciclo. O Mundial de Futebol 2026 fechou dois capítulos de peso: a era Messi ao serviço da Argentina em fases finais e os 14 anos de Deschamps no comando da França.
A Espanha sai deste Mundial como a seleção de referência do futebol mundial. Dois títulos em espaço de dois anos — Euro 2024 e Mundial de Futebol 2026 —, uma geração jovem a entrar agora na maturidade e prémios individuais em praticamente todas as categorias. É um projeto que não parece esgotado no curto prazo.
Do outro lado, a Argentina fecha um ciclo dourado sem conseguir o bis. A França troca de treinador. A Inglaterra conquista o primeiro pódio desde 1966 e ganha argumentos para acreditar. E Portugal sai com a sensação de que o caminho podia ter sido diferente com um primeiro lugar no grupo.
Com o Mundial arrumado, as atenções viram-se para o arranque das principais ligas europeias em agosto. É o momento de olhar para os plantéis renovados, para os jogadores que saíram do torneio em alta e para os mercados de vencedor de longo prazo. Consulta a nossa secção de futebol para acompanhares o regresso das competições de clubes.
+18. Sê responsável. Aposta com moderação.
