
O Mundial 2026 será o maior de sempre. Pela primeira vez, 48 seleções disputarão o troféu mais importante do futebol internacional, numa edição que contará com 104 jogos, uma ronda adicional a eliminar e um formato competitivo diferente daquele a que os adeptos se habituaram nas últimas décadas.
Mas esta não é a primeira grande revolução da competição. Ao longo de quase um século, a FIFA foi alterando sucessivamente a estrutura do torneio para acompanhar o crescimento do futebol mundial, aumentar a representatividade das diferentes confederações e adaptar-se às exigências de um desporto cada vez mais global.
De que forma é que essas alterações tiveram impacto no torneio? É sobre isso que nos vamos debruçar neste artigo, olhando para trás e percebendo como a competição evoluiu desde a sua criação.
A primeira edição da história, disputada no Uruguai, em 1930, contou com apenas 13 seleções. O torneio foi organizado em quatro grupos - alguns com três equipas, outros com quatro - e apenas os vencedores avançavam para as meias-finais.
Poucos anos depois, a FIFA experimentou uma solução radicalmente diferente. Em 1934 e 1938, os Mundiais foram disputados exclusivamente em formato eliminatório. Não existia fase de grupos: uma derrota significava eliminação imediata.
Após a interrupção provocada pela Segunda Guerra Mundial, a competição regressou em 1950 com um dos modelos mais invulgares da sua história. Em vez de uma final tradicional, os vencedores dos grupos apuraram-se para um quadrangular decisivo. O célebre Maracanazo, que deu o título ao Uruguai frente ao Brasil em pleno Maracanã, surgiu precisamente desse formato, que nunca mais seria repetido.
A partir de 1954, o Mundial encontrou finalmente alguma estabilidade. Durante mais de duas décadas, a competição foi disputada por 16 seleções, divididas em grupos de quatro equipas.
Foi neste período que o torneio se consolidou como o maior evento do futebol internacional. Foram também os anos dos títulos de Pelé, da conquista inglesa em 1966 e da afirmação da Alemanha Ocidental como uma das grandes potências da modalidade.
Ainda assim, a FIFA continuou a experimentar novos modelos. Nos Mundiais de 1974 e 1978, os tradicionais quartos-de-final e meias-finais foram substituídos por uma segunda fase de grupos. Os vencedores desses grupos avançavam diretamente para a final.
Apesar de interessante do ponto de vista competitivo, o modelo revelou-se demasiado complexo e acabou por ser abandonado.
À medida que o futebol crescia fora da Europa e da América do Sul, tornava-se cada vez mais difícil justificar um torneio limitado a apenas 16 participantes.
A resposta chegou em 1982, quando o Mundial passou a contar com 24 seleções. A competição começou com seis grupos de quatro equipas e incluía uma segunda fase de grupos antes das meias-finais. O formato revelou-se pouco intuitivo e foi reformulado logo na edição seguinte.
Esta edição ficou também marcada pelo infame "jogo da vergonha" entre Alemanha Ocidental e Áustria: sabendo que uma vitória alemã por um ou dois golos apurava ambas as seleções e eliminava a Argélia, as equipas praticamente deixaram de atacar depois do golo alemão aos 10 minutos. A polémica foi tão grande que a FIFA decidiu, a partir do Mundial seguinte, que os últimos jogos de cada grupo passariam a ser disputados em simultâneo.
Em 1986, a FIFA introduziu um sistema que muitos adeptos ainda recordam: seis grupos de quatro equipas, apuramento dos dois primeiros classificados e acesso dos quatro melhores terceiros à fase a eliminar.
A fórmula repetiu-se em 1990 e 1994, permitindo que equipas que não tinham terminado nos dois primeiros lugares continuassem em prova (analisaremos já de seguida este detalhe com maior pormenor).
O Mundial de França 1998 inaugurou aquela que muitos consideram a era moderna da competição.
Pela primeira vez, participaram 32 seleções, distribuídas por oito grupos de quatro equipas. Os dois primeiros classificados de cada grupo avançavam para os oitavos-de-final, iniciando-se depois o percurso clássico até à final.
O sucesso da fórmula foi imediato. Durante sete edições consecutivas - de 1998 a 2022 - o formato manteve-se inalterado. Nenhuma outra estrutura competitiva durou tanto tempo na história dos Mundiais.
Tão interessante como a evolução do formato é a forma como a FIFA foi escolhendo os cabeças de série ao longo das décadas.
Nas primeiras edições, os critérios eram tudo menos transparentes. Em muitos casos, os países anfitriões, os campeões anteriores ou as seleções mais prestigiadas recebiam automaticamente esse estatuto. Houve até Mundiais em que fatores geográficos tiveram influência direta na distribuição dos grupos!
Nos anos 80 e 90, a FIFA começou a privilegiar os resultados desportivos. Em 1986, por exemplo, os cabeças de série foram escolhidos com base no desempenho das seleções no Mundial anterior. O mesmo princípio foi utilizado em 1990 e 1994, valorizando o histórico recente das equipas.
A partir de 1998 surgiu um modelo híbrido que combinava os resultados dos Mundiais anteriores com a posição no ranking FIFA.
A grande mudança chegou em 2010, quando a FIFA passou a utilizar exclusivamente o ranking mundial para determinar os cabeças de série.
Em 2026 surgirá uma novidade adicional: os quatro melhores classificados do ranking FIFA à data do sorteio serão colocados em zonas distintas do quadro competitivo e só se poderão encontrar nas meias-finais - desde que vençam os respetivos grupos.
Mark Twain disse que a história não se repete, mas muitas vezes rima. Com base nesse princípio, quando analisamos as anteriores alterações do formato competitivo do Mundial, encontramos alguns padrões curiosos.
O Mundial 2026 terá 48 seleções, 12 grupos e recuperará um conceito que já tinha sido utilizado entre 1986 e 1994: o apuramento dos melhores terceiros classificados.
Na prática, isso significa que uma seleção poderá sobreviver a uma fase de grupos menos conseguida e continuar a lutar pelo título.
Nas três edições em que este sistema esteve em vigor, verificaram-se casos surpreendentes:
Em 1986, a Bélgica terminou em terceiro lugar no Grupo B e chegou às meias-finais.
Em 1990, a Argentina terminou em terceiro no Grupo B e alcançou a final.
Em 1994, a Itália foi terceira classificada do Grupo E e também chegou à final.
É verdade que todos os restantes terceiros classificados acabaram eliminados na primeira ronda do mata-mata. Ainda assim, estes exemplos demonstram que uma entrada menos conseguida não significa necessariamente o fim da caminhada.
Basta recordar o Mundial 2022, aliás: depois da surpreendente derrota frente à Arábia Saudita, a Argentina ficou imediatamente sem margem para novo deslize. Em 2026, cenários semelhantes poderão ser menos dramáticos graças à existência de mais lugares na fase a eliminar.
Para quem vai acompanhar e apostar no Mundial na bwin, este será um dos aspetos mais importantes a ter em conta.
O novo sistema também introduz uma proteção inédita para os quatro melhores classificados do ranking FIFA.
No papel, isso reduz a probabilidade de grandes confrontos nas fases iniciais do mata-mata. No entanto, existe uma condição fundamental: as seleções precisam de vencer os respetivos grupos.
E a história mostra que isso está longe de ser garantido.
Ao longo dos anos, várias favoritas ficaram pelo caminho logo na fase de grupos:
Brasil (1966)
França (2002)
Itália (2010)
Espanha (2014)
Alemanha (2018)
O ranking pode oferecer vantagens no sorteio, mas continua a não existir qualquer proteção contra más exibições dentro das quatro linhas.
Como vimos, a FIFA já experimentou (quase) tudo nos Mundiais: grupos, quadrangulares, fases intermédias, sistemas de melhores terceiros classificados e diferentes modelos de mata-mata.
Algumas alterações resultaram melhor do que outras, mas todas tiveram algo em comum: procuraram adaptar a competição à evolução do futebol mundial. No entanto, a principal lição da história mantém-se intacta: nenhum formato consegue eliminar o fator surpresa.
Os favoritos continuarão a entrar em campo com vantagem (teórica), mas, como tantas vezes aconteceu ao longo dos últimos cem anos, tudo pode acontecer em 90 minutos (ou mais) - e só esses acontecimentos decidem quem escreve o próximo capítulo da história.
