
Em 2022, o Mundial do Qatar proporcionou-nos algumas surpresas que ficarão na história dos mundiais. Foi o primeiro Mundial no Médio Oriente, e o primeiro de sempre a ser disputado no final do ano civil, e não no final da época. Marrocos inscreveu o seu nome na história ao tornar-se na primeira seleção de África a chegar às meias (eliminando Portugal e Espanha pelo caminho).
2026 também será pródigo em estreias, com todo o contexto a parecer ainda mais propício a surpresas: teremos mais jogos, uma fase a eliminar mais longa, viagens longas entre os três países anfitriões, diferentes fusos horários e condições climatéricas distintas. Ou seja, o contexto competitivo pode tornar-se tão importante quanto o talento individual, o que abre espaço a que seleções organizadas se tornem ossos duros de roer.
No primeiro Mundial verdadeiramente global, com representantes dos cinco continentes (a partir de 2026, a Oceânia passa a garantir uma vaga por apuramento direto), os favoritos continuam favoritos… a tradição ainda é o que era, mas é muito provável que existam surpresas. Quais poderão ser? É isso que vamos analisar a seguir.
Teoricamente, sim. Há um aligeirar da pressão dos jogos da fase de grupos do Mundial 2026, pois, como passam oito dos 12 melhores terceiros, a probabilidade de um favorito cair nesta fase é reduzida.
Isto significa que uma grande seleção pode perder um jogo no arranque sem entrar imediatamente em modo de crise - algo muito diferente do que aconteceu com a Argentina em 2022, quando a derrota frente à Arábia Saudita gerou enorme pressão logo à primeira jornada.
Este modelo também oferece mais oportunidades a seleções emergentes, qualificando 32 seleções para a fase a eliminar. Com a ronda extra antes dos oitavos, aumenta a probabilidade de vermos uma potência cair perante um outsider logo no arranque do mata-mata.
Outro fator relevante é o desgaste físico agravado pelas deslocações longas entre EUA, Canadá e México; condições climatéricas díspares; e ainda o fator altitude para as equipas que jogarem em determinados estádios.
Tudo isto favorece equipas compactas, fisicamente fortes e bem organizadas, capazes de competir em jogos únicos e explorar momentos de menor intensidade dos favoritos.
Não há garantias de nada, obviamente, mas este novo modelo competitivo aumenta bastante a margem de progressão de equipas que, noutras edições, dificilmente conseguiriam crescer dentro do torneio.
Seja pela organização coletiva, pela qualidade individual ou pelo contexto do grupo, estas são algumas das seleções fora das favoritas no Mundial 2026 que merecem atenção:
Foi a primeira equipa a garantir o apuramento (excluindo anfitriões) e protagonizou um ciclo extremamente sólido, incluindo vitórias contra Brasil e Inglaterra em jogos amigáveis.
Os japoneses impressionam pela disciplina tática, intensidade e automatismos muito bem trabalhados. Embora não tenham o poderio físico de outras equipas, o equilíbrio do plantel e a experiência de jogadores habituados às principais ligas europeias jogam a seu favor (embora a lesão de Kaoru Mitoma tenha sido um duro golpe).
Só que o grupo não é simples (Suécia, Países Baixos e Tunísia), e os possíveis cruzamentos nos dezasseisavos também não ajudam, já que o Grupo C (Brasil e Marrocos) aparece logo no horizonte caso termine nos dois primeiros lugares. Curiosamente, o terceiro lugar deste grupo F poderá ser o caminho mais fácil no mata-mata.
Ainda assim, precisamente por causa da organização coletiva e da consistência exibicional, o Japão surge forte candidato a surpresa neste Mundial.
Já aqui mencionamos que a organização das equipas poderá ser fator chave nesta competição. “Quem não sofre golos está sempre mais perto de vencer” é uma “Lapalissada” do futebol, e, nesse capítulo, o cartão de visita do Equador é irrepreensível.
A equipa sofreu apenas cinco golos nos 18 jogos das eliminatórias sul-americanas de apuramento - um registo melhor do que os favoritos Argentina e Brasil.
A espinha dorsal equatoriana impressiona: Moisés Caicedo, William Pacho, Piero Hincapié e Joel Ordóñez formam uma base extremamente competitiva e fisicamente poderosa. A equipa não marca muitos golos, é certo, mas também é muito difícil de desmontar.
O Grupo E, com Alemanha, Costa do Marfim e Curaçau, oferece excelentes perspetivas de apuramento. E, num torneio desta natureza, equipas defensivamente sólidas tendem sempre a tornar-se perigosas.
O Equador pode não aparecer entre os principais favoritos nas odds do Mundial 2026, mas encaixa perfeitamente no perfil de seleção capaz de crescer eliminatória após eliminatória.
28 anos depois, a Noruega regressa ao maior palco do futebol mundial com (talvez) a geração mais talentosa da sua história.
A campanha na qualificação foi impressionante: oito vitórias em oito jogos, 37 golos marcados e duas goleadas impostas a Itália. Naturalmente, muito do destaque vai para Erling Haaland, autor de 16 golos (!) nas eliminatórias, mas reduzir esta equipa ao matador do City seria injusto.
Martin Ødegaard dá criatividade e controlo ao meio-campo, enquanto nomes como Sørloth, Strand Larsen, Antonio Nusa ou Oscar Bobb acrescentam profundidade ofensiva.
O problema é o grupo: França, Senegal e Iraque tornam o caminho muito complicado. E como os critérios dos melhores terceiros valorizam diferença de golos e golos marcados, qualquer deslize pode ser fatal.
Ainda assim, poucas seleções fora do lote das favoritas têm tanto talento individual capaz de decidir jogos.
Além deste trio, há mais odds dos underdogs do Mundial 2026 que vale a pena espreitar:
Jogar em casa pode fazer diferença, sobretudo numa equipa jovem e intensa.
Muito competitiva, experiente e difícil de bater em jogos grandes. Está no grupo de Portugal.
Depois das meias em 2022, já ninguém subestima esta seleção (que será uma das anfitriãs do Mundial 2030, juntamente com Portugal e Espanha).
A organização tática e a consistência competitiva continuam a ser a matriz dos helvéticos, que também beneficiaram de um sorteio favorável (especialmente se vencerem o grupo B).
Senegal, Uruguai e México completam o top 10 de equipas que vale a pena manter debaixo de olho.
A primeira coisa que tens de perceber é que apostar em outsiders não significa necessariamente apostar no vencedor final. Aliás, em muitos casos (a maioria, na verdade), o valor está noutros mercados.
O novo formato inclui muitos jogos entre seleções de níveis diferentes, o que pode gerar oportunidades interessantes de apostas no Mundial 2026 em handicaps ou mercados de golos nas apostas pré-jogo e ao vivo.
Mas lembra-te: odds altas são mais apelativas, mas a volatilidade destes mercados também é mais elevada. Apostar com moderação continua a ser a melhor estratégia!
Qual foi o Mundial que não teve surpresas? Se não te ocorre nenhum, é normal: nunca aconteceu! E a probabilidade de acontecer em 2026 é quase nula visto que serão 104 jogos em 39 dias, distribuídos por três países e vários fusos horários diferentes.
Da altitude do Azteca às ameças de calor extremo, o novo formato permite aos favoritos não entrar em pânico se alguma coisa correr mal na fase de grupos - afinal, os oito melhores terceiros também seguem para as eliminatórias -, mas também acrescenta uma eliminatória (os dezasseisavos) e mais desgaste físico o que dá margem aos outsiders para crescer durante o torneio.
Tudo indica que teremos mais um Mundial recheado de histórias improváveis. E, como sempre, vais poder acompanhar tudo aqui mesmo na bwin!
*Nota: As odds referidas no artigos estão atualizadas a data de hoje e podem sofrer alterações. Consulta as odds atualizadas em bwin.pt
+18. Sê responsável. Aposta com moderação.